05/10/11

23/09/11

poema para crianças demoníacas ( ou patty waters sussurra)

levanto
de algum sonho perdido
de alguma noite silenciosa
patty sussurra em meu ouvido
palavras roucas com cheiro de uísque
o sax embaralhado
desperta meus demônios
à procura dos seios sardentos
meus demônios não são doces
meus demônios não são piedosos
patty me avisa:
"estou acordando todos eles."
me ponho de pé
pronto para me embrenhar
nesse quarto de perdição
com meus demônios.

11/09/11

só dois, blues.




eu contrario 
deixo atordoada 
com meu jazz embaralhado
minhas palavras canhotas 
ao pé do ouvido no escuro.
você sorri com gosto
de framboesa achada
entre nós 
só blues.

03/09/11

nina simone me assoviando cena de cinema.

nina
você tem um nome que eu gosto
daqueles nomes que botaria em uma gata
ou numa filha que tenha cara bonita da mãe
nina
você me despedaça por inteiro
acabe logo comigo
para seu jazz assoviar em outras casas
nina
sonho com cenas já filmadas
as danças inebriantes e uma simples frase
"acho que você vai perder seu voo, baby..."
aí eu me perco de vez nos braços dela
e no fundo da caneca que está em sua mão
nina
me apresente outra forma de paixão
eu prometo que serei cantoria
acolhendo e desenhando sonhos em algodão doce
ah, nina
você sempre no meu caminho
me prometendo transições
e sorrisos de cinema de cinema mudo, com "até logo" em fade out.

26/08/11

poema de um final mal resolvido.

minha alma tritura amor
no quarto de tempo
das badaladas canhotas
afoito, te abraço na solidão fria
há uma pedra em meu peito
derretendo no copo de uísque
e nossos tragos são delírios
dispensando nosso caso
mal resolvido pelas fumaças
desesperadas do acaso.



19/08/11

a última peça.

tiro seu escapulário
a última peça de seu todo
não perdendo seus olhos nos meus
sentindo seus seios nas minhas mãos
ouviria seu palpitar me chamando
te deitaria amaciando seu desejo
nossos beijos em contagem progressiva
sem tempo, sem cortes
risos e sorrisos
sou eu, presente em seu corpo
e dentro de seus pensamentos
ofegando desejos por você.