29/09/13

o domingo no centro da cidade é um dia morto

é pesado o silêncio que a rua faz no centro. tudo é tão turbulento durante a semana, mas no domingo tudo fica uma paz que grita e pesa qualquer rua que é passada, por qualquer pessoa que se vê em pleno final de tarde, quando as luzes começam a aparecer, numa tentativa de resgatar a dignidade perdida por aqueles que passaram em ressacas de amargar a boca e deixar com a dor de cabeça que só a derrota de um sábado proporciona. o domingo é repleto de amargura, despedida e derrotas, as vezes tem doces momentos e ninguém se lembra de domingo, mas é para poucos. o cheiro da bebida ainda está na camisa surrada de tantas batalhas travadas, de tantas garrafas trocadas, de tantos beijos roubados e mordidos, da carreira que não conseguiu sucesso algum, a não ser a insônia que é provocada. os barulhos dos carros indo para alguma direção não acalentam em nada o coração perdido, o centro da cidade no domingo não perdoa, o cheiro do bueiro se mistura com a cachaça jogada na encruzilhada. os pássaros cantam tentando estabelecer uma comunicação, talvez até compartilhar aquela dor de pesar que o domingo proporciona. é quase um engodo acordar no domingo. a noite cai e os poucos que passaram já foram, alguns ficam deitados no chão gelado que não acolhem nem um pouco os que precisam daquele lugar. aí vem o final daquele programa dominical, está acabando. o último ônibus do dia está esperando o momento da partida, ficar parado em frente ao ponto e pensar no que não foi vivido, está um dia morto e frequentado pelos mortos, é domingo no centro da cidade. os primeiros minutos da segunda-feira já estão batendo, na janela do quarto vazio se diz apenas uma coisa:

- o domingo acabou.

09/09/13

08/09/13

o domingo sem ligação no dia seguinte.

tarde de domingo cai como aquela ressaca de bebida mal amada e nas mãos, ainda tem cheiro da sem vergonhice. 

o domingo acabou, sem ligação no dia seguinte.

07/05/13

rumo

a canoa furada está prestes a afundar
as palavras dentro da garrafa
faz fumaça de narguile
cada poema se faz memória.
o resto é história, outro rumo ou algum tipo de gambiarra.