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04/04/2012

sou desses, sou eu.

sou o arranhão que te aninha
sou desses, calo beijando.
sou aquele que escreve nas costas nuas
mas não, beibe, eu não sou piedoso
meu amor corta em leveza
e sorri impune
não sou conto de fadas
não sou o modelo de seus sonhos
e no meio das pedras fica uma verdade:
sou o que sou
senão
eu não vivo como sou.

30/03/2012

será primeira a mirar
mergulhando em minha sopa de letrinhas
você junta como bem desejar
entre meus dedos está a colher
para dar na boca minha insanidade e minha vontade
te deixar ajoelhada em minha frente
enquanto sinto sua língua sedenta por mais
até dizer chega
até virar sono profundo.

20/03/2012


caio em seu colo
com minha boca rasgando seu desejo
te como
desvairado como
um animal esfomeado
comendo
até deixar você sem coração.

11/09/2011

só dois, blues.




eu contrario 
deixo atordoada 
com meu jazz embaralhado
minhas palavras canhotas 
ao pé do ouvido no escuro.
você sorri com gosto
de framboesa achada
entre nós 
só blues.

03/09/2011

nina simone me assoviando cena de cinema.

nina
você tem um nome que eu gosto
daqueles nomes que botaria em uma gata
ou numa filha que tenha cara bonita da mãe
nina
você me despedaça por inteiro
acabe logo comigo
para seu jazz assoviar em outras casas
nina
sonho com cenas já filmadas
as danças inebriantes e uma simples frase
"acho que você vai perder seu voo, baby..."
aí eu me perco de vez nos braços dela
e no fundo da caneca que está em sua mão
nina
me apresente outra forma de paixão
eu prometo que serei cantoria
acolhendo e desenhando sonhos em algodão doce
ah, nina
você sempre no meu caminho
me prometendo transições
e sorrisos de cinema de cinema mudo, com "até logo" em fade out.

26/08/2011

poema de um final mal resolvido.

minha alma tritura amor
no quarto de tempo
das badaladas canhotas
afoito, te abraço na solidão fria
há uma pedra em meu peito
derretendo no copo de uísque
e nossos tragos são delírios
dispensando nosso caso
mal resolvido pelas fumaças
desesperadas do acaso.



19/08/2011

a última peça.

tiro seu escapulário
a última peça de seu todo
não perdendo seus olhos nos meus
sentindo seus seios nas minhas mãos
ouviria seu palpitar me chamando
te deitaria amaciando seu desejo
nossos beijos em contagem progressiva
sem tempo, sem cortes
risos e sorrisos
sou eu, presente em seu corpo
e dentro de seus pensamentos
ofegando desejos por você.

16/08/2011

cena nua.


vejo rosto na aurora
silenciosa e sem foco
cantando fadiga de garganta cortada

nublado ser
perambulando no centro da cidade
triste em expressionismo

flertando nos devaneios
desejando pernas no baile
é neo-realismo em chamas

e um silêncio abraçado pelo desespero
de um coração nu.


05/08/2011

dark room



mergulho no meio do escuro
para achar você
com sua lamparina
apagada
sinto mãos calejadas de solidão desesperada
bocas secas, vidas secas vadias
e você no canto
tapando ouvido para não ouvir meu chamado
sua lamparina está apagada
não te acho
e tateio seios que não são seus.



                   



28/07/2011

Nas luzes amareladas de São Paulo


cai a madrugada assoviada em são paulo
a velha luz amarela ilumina o centro
lá é meu lugar em pensamento e corpo
quero me perder em você, dentro de sua estação
o seu abismo que me cala extasiado
são paulo não são
vem me pegar logo
mariana, madalena, matilde, me agarrem em suas vilas
depois passeio na paulista que abraça formigas de várias espécies
e terminar embriagado nos neons da augusta
preciso das luzes amareladas da sé e república
me perder em sebos, esquinas e hotéis antigos
chegar feliz e assustado nas escadarias do municipal
assistir de camarote, encantado
a correria das moças branquelas de sutiã preto
cidade que alarda e me faz vivo
vem logo
senão vou até você.

22/07/2011

procurando ecos estridentes e berrantes.

procuro
entre as esquinas de domingo sem eira
dentro do meu copo vazio na lapa, sem beira
como em qualquer êxtase falso, como num filme dublado na madrugada
procuro
nas noites de sexta, em ipanema silenciosa
no inferninho suburbano da minha alma escandalosa
nos beijos que roubo sem gosto de framboesa
no sexo sem gosto de bala halls preta
procuro
em encruzilhadas repletas de putas tragando
nos jogos de tarô sem a carta do amor
ou naqueles mágicos que trazem a pessoa amada em 12 hs
procuro
coração vazio para entrar com meu free jazz canhoto e barulhento
corpo quente no inverno glacial para entretenimentos do cotidiano
e alguma luz de lampião iluminando a tal região de conforto chamada abismo
procuro
no colo de seios fartos de ecos estridentes e berrantes
para deitar e dormir
e acordar aninhado, preencher vida e fazer nós sem arrebentar no meio do caminho.

02/07/2011

bolinando sozinha seus desejos, dedos não alcançam o final feliz.

cama desfeita e amarrotada
há uma semana intocável
pedras de gelo sem dose
cabides jogados no chão
roupas decorando silêncio
você espera pelo anjo
tocando a trombeta do amor
encontra na verdade uma fábula
de sorriso cínico e amarelado
e orgasmo egoísta. 
é sempre domingo sem eco
lágrima cai dolorosa porque não é macia
não é seu amor com uma garrafa de vinho
não é sua morte beijando seu corpo mal passado
não é seu quadro manchado de sangue pisado
sua cara estampa a vergonha sem motivo.
é domingo em seu quarto 
rasgos de poemas rasgados
triste fim, você
desalmada e amargurada
bolinando sozinha seus desejos, dedos não alcançam o final feliz.

14/06/2011

alguma coisa parecida com desejo ou desejo.

madrugada calada
sua dança é caligrafia
nua
seios apontam o céu
da minha boca esfomeada
te calo da maneira "pueril"
ardendo em desejo
pede clemência desesperada

no meio de suas pernas
há tesouro achado
só eu consigo ver
seu tango embaralhado
e sua reza sem crença.

13/06/2011

31/05/2011

verdes vales

como eram cheios
meus verdes vales
escuros
causando breve
nostalgia barata
no esgoto do limbo
residem
ventos clamando
perdão
por um amor
sujo
pelo tempo
marcado
em marcas
como eram escuros
como eram tristes
meus verdes vales.

23/05/2011

quarto de tempo


                                                                                              


                                                                                                           ( 'summer interior ', e. hopper)





as horas passam e tantos amores jogados no quarto de tempo.

14/05/2011

um sábado qualquer, outono sequer.

escarro berros
estridentes de desespero
clamando
para estourar meu coração
com tiros à queima roupa
apenas me apague
de seu corpo

já se foi
seu coração
jogado
do oitavo andar
durante a madrugada
fria

é qualquer sábado
outono sequer
cheirando a vinho vagabundo.

03/05/2011

ao cubo.

ventos suspirados
bocas mordem
cubos de gelo
no topo do iceberg
de nossos corações

é polo norte
em nossa cama
de águas
feitas de insólito
inverno.

22/04/2011

fundo de gaveta.

suas silhuetas
nuas
rasgam desejos
calados
por gemidos e gritos
declamando sexo
no fundo
de nossas gavetas
repletas
de poemas
escarrados.