Desencontro nos seios fartos de perdão. Há uma lágrima de crocodilo que faz nossos caminhos apagados. Encontro na sua cama forrada em verde musgo as horas não passadas, você fotografa em sépia para ter a impressão que estávamos na década de 70. O nosso agora, que se restringe a um desembaralhar no coração e lençóis não trocados na tarde de domingo. A tarde de ontem era domingo, quando eu disse silenciosamente em seus olhos "adeus, tenho que trabalhar", com sua cara de moça delicadamente perdida, me indagou "mas é domingo, como pode?".
Nossos dias foram eternos domingos.
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18/04/2011
09/03/2011
quarta de cinzas.
não acho tatos em seus contatos
esvai, lenta e calma seu sorriso
deixando céu cinza de vazios.
02/12/2010
cenas de amor em sequências quebradas.
FADE IN
CENA 1.
Falou sozinha por entre carros, pessoas e bares. Deixava bilhetes em banheiros masculinos, eram bilhetes cegos de amor.
CENA 2
Era madrugada quando o telefone tocou, era ela querendo ouvir o seu “alô”. O seu amor platônico continuou na fase adulta.
CENA 3.
Pegou seu beijo no ar para nunca mais perder. Mal sabia que as mãos eram de outro.
CENA 4.
Silêncio, luz apagada, taças quebradas e corpos jogados no chão. Eram mortos pelos pecados cometidos. Não trocaram telefones, nem nomes. Era amor calado e subversivo.
CENA 5.
Voltava para casa de ônibus, era uma viagem longa, chorou nos sacolejos das ruas maltratadas. Vomitou no coletivo inteiro o seu amor chutado .
CENA 6.
As alianças eram apenas objetos, tinham filho e não havia teto para três. A conveniência camuflada de amor desapareceu nas fumaças de uma água fervida.
CENA 7.
Apenas durou um mês. Pediu a moça em namoro, ela correu e o deixou num sofrer miúdo e doído. Mal sabe que foi alívio.
CENA 8.
O silêncio não traduzia a falta de palavras e sim a paixão acabada. Ambos pereceram no ônibus cheio de rostos cansados pelo cotidiano.
FADE OUT
FIM
09/08/2010
E foi assim em Paraty...
Voltar para uma terrinha que deixou tanta saudade e história boa é sempre muito profundo, a impressão é planar numa nuvem de nostalgia, uma saudade que jamais vai se apagar, e quanto mais voltamos, mais essa fica latente, agora posso dizer que a última vez que estive em Paraty foi na Flip de 2010, com direito a participar de um evento nota dez. Dividir o mesmo espaço com feras das palavras e melodias é uma experiência única, foi assim ao me encontrar ali, junto com Caio Carmacho, Bonifrate, Chacal, também conhecer outra rapazeada boa, que dá conta do recado como Americo Borges e Dimitri BR e outras figuras mais que fizeram da Picareta Cultural um evento único, com direito a cachaça e principalmente pelo fechamento musical com direito a Belchior e também o clássico "Fogo e Paixão" ( o hit de Wando), para delírio dos etílicios picaretas, todos no clima da grande noite.
Foi um evento onde cada um estendeu a mão para o outro, todos apenas tendo um compromisso: contribuir. O início foi musical e bem humorado, com Dimitri e seu cavaquinho, coisa finíssima, depois os poetas deixando suas palavras e mais música com Bonifrate, assim foi tocado o evento. Depois de recitar quatro poemas, apoiado pelos amigos de longa data e novos também, foi desaparecendo aquele nervosismo e deixando apenas um sorriso para todos e assim continuando com a minha missão, dando presentes para todos que ali estavam.
Assim após algumas ausências de pessoas na programação foram percebidas, foi aberto o microfone para quem quisesse ali deixar suas palavras, até um estoniano apareceu por lá, declamando em português bem macarrônico e também na sua língua, assim como minha amiga Letícia Simões recitar seu belíssimo poema, arrancando aplausos. Fiz uma boa ação ao empurra-la para isso.
O rumo das coisas foi esse, não sei o que vai dar mais para frente, apenas sei ter deixado marcas e portas abertas para o acaso me encontrar e assim deixar sensação de um mergulho tão profundo que depois tudo é flutuar. Agradecendo novamente ao Caio, pelo espaço cedido, a amizade e boas risadas cínicas da vida na Praça da Matriz, ao querido Bonifrate na euforia nostálgica me apresentou para a galera como " o primeiro grande amigo da vida", aos amigos que compartilharam bons momentos e também aos que conheci, nem que fosse para dizer "um presente para você", e assim foi, tudo correu bem, neste que foi mais do que um evento, foram dias picaretas em Paraty.
E a Flip, bom, foi a Flip.
Em breve fotos e vídeos, enquanto isso tudo é palavra em carne viva.
Obrigado sempre por tudo isso, Paraty.
Foi um evento onde cada um estendeu a mão para o outro, todos apenas tendo um compromisso: contribuir. O início foi musical e bem humorado, com Dimitri e seu cavaquinho, coisa finíssima, depois os poetas deixando suas palavras e mais música com Bonifrate, assim foi tocado o evento. Depois de recitar quatro poemas, apoiado pelos amigos de longa data e novos também, foi desaparecendo aquele nervosismo e deixando apenas um sorriso para todos e assim continuando com a minha missão, dando presentes para todos que ali estavam.
Assim após algumas ausências de pessoas na programação foram percebidas, foi aberto o microfone para quem quisesse ali deixar suas palavras, até um estoniano apareceu por lá, declamando em português bem macarrônico e também na sua língua, assim como minha amiga Letícia Simões recitar seu belíssimo poema, arrancando aplausos. Fiz uma boa ação ao empurra-la para isso.
O rumo das coisas foi esse, não sei o que vai dar mais para frente, apenas sei ter deixado marcas e portas abertas para o acaso me encontrar e assim deixar sensação de um mergulho tão profundo que depois tudo é flutuar. Agradecendo novamente ao Caio, pelo espaço cedido, a amizade e boas risadas cínicas da vida na Praça da Matriz, ao querido Bonifrate na euforia nostálgica me apresentou para a galera como " o primeiro grande amigo da vida", aos amigos que compartilharam bons momentos e também aos que conheci, nem que fosse para dizer "um presente para você", e assim foi, tudo correu bem, neste que foi mais do que um evento, foram dias picaretas em Paraty.
E a Flip, bom, foi a Flip.
Em breve fotos e vídeos, enquanto isso tudo é palavra em carne viva.
Obrigado sempre por tudo isso, Paraty.
( poema recitado no dia 07/08 e em breve.... )
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