09/07/2010

para quem for. (ou não)

 Meu vício que inebria as noites tão caladas, meu grito em vão, eles apenas escapam dos sussurros que ao pé do ouvido são só seus, contemplo seus olhos verdes que teimam em despedir de mim antes da chegada, você é meu último vestígio de crimes compartilhados, simplesmente foge como uma garotinha indefesa, mas depois de entregue aos meus braços se torna a mulher que tanto quis ser, é sempre assim entre nós dois. Eu clamo por utopia em meio a essa realidade turva entre nós dois, não sinto desalento quando encosto minha cabeça em seus seios, estou inundado em palavras não-ditas por simplesmente não ser a hora de dizer, aliás, nunca sei a hora com você, tudo se perde nos ponteiros que são seus dedos,  eles me apontam os segundos para proferir tudo, mas não há falas e palavras libertas, apenas o entalar. Seria uma história perfeita entre nós dois, mas existe o  amanhã, ele existe e ambos tem medo como se o mundo fosse acabar. Na pele branca como o papel eu desenho nossos encontros, tudo feito com minha boca esfomeada em cada partícula sua, ca-da. Meu bem, agora façamos desse jeito bem simples: segure a minha mão, vamos dormir assim, de mãos dadas para acordamos juntos em nosso Apocalipse.

3 comentários:

Camila P. disse...

que bela tática... ;)

júlia vita disse...

Adoravelmente sensível.

Flanders disse...

seus textos são lindos. Esse que li acora pensei que não teria sentido no começo, mas depois vi. Belíssimo. ç.ç